Mais um jovem na estatística

Me chamo Lucas Travassos, tenho 21 anos e sou um menino gay. Nasci e cresci em uma família religiosa e extremamente tradicional, já era previsto que o preconceito viria… O único problema é que eu não estava preparado para enfrenta-lo.

Assumi em casa minha homossexualidade ainda na adolescência em 2011. Eu não estava preparado para falar sobre esses assuntos com meus pais, pois era um tabu até para mim. Assim como eles tive uma criação conservadora e cheia dos preconceitos. Certo dia estava tranquilo no meu quarto até ser chamado pela minha mãe para uma conversa na cozinha. Ela tinha vários prints impressos na mão, de todos os meus amigos do facebook da época e perguntou se eu era amigo daquelas pessoas que estava a me mostrar, respondi que sim, ela logo em seguida perguntou se eu era gay, e eu com medo menti “não, sou bi. ” Imediatamente minha mãe abaixou a cabeça e chorou. Eu sabia que a partir daquele momento as coisas não seriam mas as mesmas, e não foram. A doutrinação foi imediata, quando minha madrinha, que estava do nosso lado todo tempo em silencio começou a dizer aquela velha história que muitos LGBTs escutam a vida toda “Deus fez o homem para a mulher, criou Adão e eva e não adão e ivo” e eu, também aos prantos respondi “Não escolhi ser assim”

Nos dias que se seguiram uma série de coisas aconteceu, minha mãe fazia várias chantagens emocionais para que eu fosse a igreja com ela, pois acreditava ela que deus um dia me curaria, meu pai que já tinha uma relação afastada comigo apenas se afastou mais. Fui chamado de aberração, amaldiçoado e qualquer coisa ruim que aconteça na minha casa é claro, culpa minha. Por várias vezes jogaram na minha cara os esforços que fizeram por mim como se eu fosse uma decepção, soube por parentes mais desconstruídos que minha mãe “preferiria ter um filho bandido do que um filho viado” já tive brigas feias com meu pai também, a ponto de precisar ameaçar ir em uma delegacia prestar um B.O. contra ele por agressão física.

Hoje é 2018. Sou ator e estudante de teatro, continuo cheio de sonhos e tenho a arte como escudo e a meu favor, também sou militante e luto todos os dias para que a minha realidade (que já tentei por muitas vezes mudar e todas as vezes sem sucesso) não seja a mesma realidade de outras pessoas como eu, luto por igualdade de direitos e respeito incondicional. Meus pais pouco mudaram, e os comentários retrógrados ainda são rotineiros. Não é fácil, mas eu hoje estou preparado para enfrentar o ódio de casa, e do mundo. E espero que você leitor (principalmente se for da comunidade LGBT+) que se deu o trabalho de ir até o fim deste relato resumido de mais um homossexual que entrou para estatística da homofobia, consiga entender que não está sozinho e que a luta é diária. A minha realidade é a de muitos.

Acredito que um leão por dia nos torna guerreiros (as) e um dia nossa luta terá valido a pena, luto para que a desigualdade seja criminalizada de fato para TODOS os tipos de pessoas. Perdão de houve algum erro gramatical nesse texto e gratidão por ter lido.

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