Não há nada errado com você.

Aos 19 anos, entendi que ser gay não era um problema. Deixei pra trás os anos de culpa e vergonha que carreguei. Ainda na infância, frequentando com minha mãe uma igreja evangélica, aprendi tudo errado, me sentia mal, chorava pedindo perdão e libertação para um Deus que, na verdade, nunca me condenou.
Sempre tive uma relação de cumplicidade com minha mãe e sobre minha auto aceitação não seria diferente: eu precisava contar. Contei. Ela reagiu bem, um pouco preocupada… “Apenas tome cuidado, porque se eu ver alguém te discriminar, eu vou te defender, eu vou brigar”, palavras da melhor mãe do mundo. Nos meses seguintes, quando comecei a namorar sério, ela teve dificuldade para lidar, culpava em silêncio meu namorado, tinha uma raiva inexplicável dele, embora nunca o tenha tratado mal, eu notei que ela sofria algo em silêncio. Acontece que ela vem de uma estrutura social muito diferente, a homofobia era ensinada, difícil mudar conceitos que precedem. Mas ela conseguiu. Tivemos paciência e respeito um com o outro. Calma para esperar as águas turvas passarem, até que o rio ficasse cristalino novamente. Logo ela voltou a ser minha maior cúmplice na vida e a religião dela nunca nos impediu disso. Os pastores da igreja dela às vezes provocam, insinuam que ela não deveria me apoiar, manter contato comigo, mas ela os ignora completamente e ainda rimos e lamentamos juntos a ignorância deles em nossas conversas. Se necessário, seremos nós contra o mundo, e não precisamos combinar, é nossa certeza.
Graças a todo o suporte que recebi, entendo o peso do apoio, mesmo que não venha de nossos pais. Dar as mãos e dizer “não há nada errado com você” ajuda muito. Tem muita gente ensinando por aí que é errado ser como nós e o pior é que às vezes a gente acredita!
Que grande dia será quando o mundo não tentar mais nos separar, calar, culpar, condenar… Mas até esse dia chegar, nutro a certeza de que não há nada errado comigo sobre minha sexualidade.

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