Vale a pena lutar por você mesmo

Oi, meu nome é Elisson, tenho 25 anos, desde pequeno já sentia que era diferente das outras crianças, me interessava por coisas de “menina”, amava brincar e me relacionar com o mundo feminino e isso me machucava às vezes porque sempre tinha um tio me mandando engrossar a voz, uma avó me proibindo de mexer nas bonecas e um pai preocupado porque eu ainda não tinha uma namoradinha. O tempo foi passando e fui me formatando ao que as pessoas queriam de mim, tudo ficou mais complicado quando fui para igreja, porque essas coisas de “menina” tinham que ser reprimidas dentro de mim, era muito difícil esconder quando me apaixonava por algum rapaz, quando tinha que fingir ser quem eu não era. Minha adolescência e juventude foi toda assim, sempre quieto, calado, tentando seguir as regras da sociedade. Aos 18 anos, mainha chegou mais cedo em casa do trabalho, me encontrou chorando, isso sempre acontecia, mas dessa vez fui pego de surpresa, não aguentava mais, já tinha passado por momentos que até a morte soava mais agradável que viver me escondendo, neste dia eu falei tudo para ela, ela ficou meio a parte de tudo, queria que eu escondesse, que eu ligasse o “botão” e continuasse fingindo, mas eu já estava decidido, contei pro meu pai (que me aceitou desde o primeiro momento, fiquei muito surpreso e feliz porque não esperava isso dele) contei pra minha irmã e pra quem eu achava que devia, foi libertador, claro que tudo leva um tempo pra ficar do jeito que queremos, fui percebendo que o preconceito da minha família era medo do que eu poderia sofrer, aos poucos eles foram entendendo que o filho deles era a mesma pessoa, só que mais feliz por não esconder nada deles. Hoje, tenho uma relação incrível com meus pais e amigos, o processo por vezes foi dolorido, mas com respeito e amor as coisas vão se resolvendo. Hoje sou feliz porque sou quem sou, isso não tem preço, a luta continua porque o preconceito existe ainda, mas estamos passando por um momento de muita visibilidade e isso tem mostrado que não somos monstros, somos gente, como todo mundo, humanos. Espero que esse depoimento singelo mostre que vale a pena lutar por você mesmo, ser você mesmo, não existe coisa melhor.

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